“Minha gengiva está sumindo.” É uma das queixas que os pacientes descrevem com a sensação de que é irreversível. A boa notícia: em muitos casos, a retração gengival tem tratamento. E quanto mais cedo for diagnosticada e tratada, melhores os resultados.
A retração gengival ocorre quando o tecido gengival recua em direção à raiz do dente, expondo parte da superfície radicular. Além do impacto estético, a retração tem consequências funcionais: sensibilidade dentária e maior vulnerabilidade à cárie radicular.
Por que a gengiva retrai?
Escovação traumática — Uma das causas mais comuns. Escovar os dentes com força excessiva, com escova de cerdas duras ou com movimentos horizontais agressivos provoca abrasão mecânica que, ao longo do tempo, desgasta o tecido gengival. A retração frequentemente é mais intensa no lado dominante da mão.
Doença periodontal — A periodontite destrói o osso de suporte ao redor das raízes dos dentes. Com a perda óssea, o tecido gengival perde seu suporte e recua junto. Nesse caso, a retração é um sinal da doença, e o tratamento da periodontite é o primeiro passo.
Bruxismo e parafunção — A força excessiva e repetitiva do bruxismo sobrecarrega os dentes e o tecido de suporte, podendo levar à retração, especialmente em dentes com espessura óssea fina.
Biótipo periodontal fino — Gengiva delicada, osso fino e ra[izes visíveis facilmente, é geneticamente determinado e tem maior predisposição à retração mesmo com higiene cuidadosa.
Posição do dente na arcada — Dentes mal posicionados, com pouco osso vestibular, são mais susceptíveis à retração.
Como classificar a retração: a escala de Miller
- Classe I: retração não ultrapassa a junção mucogengival; sem perda óssea interdental. Prognóstico: cobertura radicular total possível.
- Classe II: retração ultrapassa a junção mucogengival; sem perda óssea interdental. Prognóstico: cobertura radicular total possível.
- Classe III: retração com perda óssea ou tecidual interdental moderada. Prognóstico: cobertura parcial.
- Classe IV: retração com perda óssea ou tecidual interdental grave. Prognóstico: cobertura improvável.
Tratamentos disponíveis
Controle dos fatores causais (primeiro passo sempre) — Antes de qualquer cirurgia: instrução de técnica de escovação correta e troca da escova; tratamento periodontal se houver doença periodontal ativa; tratamento do bruxismo; frenectomia se freio hipertônico for o fator.
Enxerto de tecido conjuntivo (ETC) — O padrão-ouro para cobertura radicular. Um fragmento de tecido conjuntivo (sem epitélio) é retirado do palato e inserido sob um retalho na região de retração. Taxa de cobertura radicular: em Classe I e II de Miller, a taxa de cobertura completa varia entre 70% e 90% com técnica adequada.
Técnica de tunelização — Variação mais moderna do enxerto de tecido conjuntivo. Em vez de fazer um retalho convencional, o cirurgião cria um “túnel” sob a gengiva existente e insere o enxerto por dentro, sem expor o periósteo. O resultado estético tende a ser mais natural.
Regeneração tecidual guiada (RTG) — Utiliza membranas bioabsorvíveis para guiar a regeneração do tecido gengival e ósseo. Indicada em casos com componente de perda óssea associado.
Enxerto livre de gengiva — Indicado quando o objetivo é aumentar a faixa de gengiva queratinizada (gengiva mais firme e resistente), sem necessariamente cobrir a raiz.
Perguntas frequentes
A gengiva retraída volta a crescer sozinha? Não. A gengiva que recuou não se regenera espontaneamente. O tratamento cirúrgico é necessário para cobrir a raiz exposta. O que o corpo consegue fazer sozinho é estabilizar a retração quando os fatores causais são eliminados.
Retração gengival dói? A retração em si não costuma ser dolorosa, exceto pela sensibilidade da raiz exposta. O procedimento cirúrgico é feito com anestesia local.
A escovação dura causa retração gengival? Sim. Escovação com força excessiva, escova de cerdas duras ou movimentos horizontais agressivos é uma das principais causas de retração gengival.
Quanto custa o enxerto gengival em BH? Em clínicas periodontais especializadas de BH, o enxerto de tecido conjuntivo tem valores variados, de acordo com a região a ser tratada.
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