“O senhor não tem osso suficiente para o implante.” Essa frase, ouvida no consultório, gera ansiedade e muitas dúvidas. A resposta para a última pergunta (“o implante ainda vai ser possível?”) é, na grande maioria dos casos: sim. O enxerto ósseo dental é o procedimento que restaura o volume de osso perdido e permite a instalação de implantes em situações onde, sem a intervenção, o tratamento não seria viável.

Por que o osso se perde?

O osso alveolar existe em função dos dentes. O estímulo mecânico transmitido pela raiz ao osso durante a mastigação mantém o metabolismo ósseo ativo. Quando um dente é perdido, esse estímulo desaparece e o osso alveolar começa a ser reabsorvido, processo chamado atrofia alveolar. Nos primeiros meses após a extração, a perda óssea é mais rápida: cerca de 25% do volume pode ser perdido no primeiro ano.

Outros fatores que causam ou aceleram a perda óssea: periodontite, trauma, cistos e tumores, e infecção peri-implantar (peri-implantite).

Quanto osso é necessário para um implante?

Para receber um implante de tamanho convencional, o osso precisa ter:

  • Altura mínima: em torno de 10 mm
  • Espessura mínima: em torno de 6 mm

Quando o volume ósseo disponível é menor que esses limites, o enxerto é indicado.

Tipos de enxerto ósseo

Enxerto autógeno (osso do próprio paciente) — O padrão-ouro. O osso é coletado de outra área do próprio paciente (mento, ramo mandibular ou crista ilíaca). Vantagens: maior taxa de incorporação, sem risco de rejeição, traz células vivas que estimulam a neoformação óssea. Desvantagem: exige uma segunda área cirúrgica.

Osso bovino (xenoenxerto) — O material mais utilizado mundialmente. Passa por processamento extenso que remove todas as proteínas, restando apenas a estrutura mineral, que serve de arcabouço para o crescimento do osso do paciente. Excelente biocompatibilidade documentada.

Osso humano de banco (aloenxerto) — Osso processado de doadores humanos. Propriedades osteocondutoras e osteoindutoras intermediárias entre o autógeno e o bovino.

Materiais sintéticos (aloplsticos) — Como fosfato tricálcico e hidroxiapatita sintética. Funciona como andaime.

Concentrados de fatores de crescimento (PRF/PRP) — Preparados a partir do sangue do próprio paciente. Combinados com outros materiais para melhorar a vascularização e a qualidade da integração.

Tipos de procedimentos de enxerto

Enxerto em bloco — Para perdas ósseas tridimensionais maiores. Um bloco de osso é fixado com parafusos de titânio na área receptora. Exige período de espera antes da instalação do implante.

Enxerto particulado + ROG — Osso particulado inserido na área de deficiência com membrana de colágeno para proteger o enxerto de invasão de tecido mole (regeneração óssea guiada).

Elevação de seio maxilar (seio lift) — Para a maxila posterior, quando o piso do seio maxilar está muito próximo da crista alveolar. O piso do seio é elevado e o espaço criado é preenchido com material de enxerto.

  • Seio lift lateral (externo): para ganhos maiores (>5mm). Exige espera de 6 a 9 meses antes do implante.
  • Seio lift transcrestal (interno): para ganhos menores (<4mm). Pode ser feito simultaneamente ao implante.

Quanto tempo leva do enxerto ao implante?

Tipo de enxerto Período de espera
Enxerto pequeno com implante simultâneo 0 (quando possível)
Enxerto particulado + ROG 4 a 6 meses
Enxerto em bloco 4 a 6 meses
Seio lift lateral 6 a 9 meses

Após o enxerto, o implante é instalado e espera-se mais 3 a 6 meses de osseointegração antes da prótese definitiva.

Perguntas frequentes

Enxerto ósseo dental dói? O procedimento é feito com anestesia local e é praticamente indolor durante a cirurgia. No pós-operatório, é esperado inchaço e desconforto por 3 a 7 dias, controlados com medicamentos prescritos.

Enxerto ósseo tem risco de rejeição? O enxerto autógeno não tem risco de rejeição. Os xenoenxertos bovinos são processados para eliminação de proteínas, a “rejeição” nesse sentido não ocorre, mas a incorporação pode ser variável.

Quanto custa o enxerto ósseo dental em BH? O custo varia dependendo da extensão. A avaliação com tomografia computadorizada é necessária para o planejamento.

Posso fazer enxerto sendo diabético ou fumante? Diabetes controlado não é contraindicação. O tabagismo é fator de risco significativo para falha do enxerto, a cessação do fumo antes do procedimento é fortemente recomendada.


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